As viagens em navio de cruzeiro continuam a ganhar
popularidade, com a procura em alta, por parte de passageiros, favorecendo o
constante aumento da frota. A indústria global de cruzeiros gerou uma receita
de 37,1 mil milhões de USD’s em 2014 e deverá atingir os 50 mil milhões até o
final de 2018, enquanto o número de passageiros transportados possa exceder os 25
milhões.
O grande aumento na procura significa muitos novos empregos
como empregados de mesa, cozinheiros, barmans, governantas e recepcionistas.
Mas esses empregos não serão para trabalhadores americanos. Trabalhar num navio
de cruzeiro pode parecer um trabalho de sonho – no imaginário da série
americana "Love Boat" – mas as longas horas de trabalho exigidas e o
baixo salário oferecido obriga a que os operadores tenham de depender de tripulantes
internacionais, maioritariamente filipinos.
A operadora de cruzeiros Royal Salesbbean anunciou,
recentemente, que iria contratar 30.000 tripulantes filipinos durante os
próximos cinco anos. Os filipinos têm poucos direitos legais. De acordo com uma
convenção de arbitragem, eles são obrigados a retornar a Manila se quiserem reclamar
dos seus empregadores e, portanto, tornam-se um alvo fácil da exploração.
A Columbia School of Journalism juntou-se à Univision
Noticias num artigo de investigação, de quatro meses, intitulado
"Vacations in No Man's Seas". Nas conclusões do artigo menciona-se
que “o negócio de cruzeiros de vários biliões de dólares opera sob as leis dos
paraísos fiscais internacionais, onde os navios estão oficialmente registados,
o que o torna num dos mercados menos regulados dos Estados Unidos”. Apesar de a
indústria usar a infra-estrutura portuária dos EUA, os recursos da Marinha dos
EUA, Guarda Costeira, Segurança Interna, Alfândega e Protecção de Fronteiras,
Saúde Pública dos EUA, Centros de Controlo e Protecção de Doenças e outras 20
agências dos EUA, de forma gratuita, não pagam, na prática, qualquer imposto nos
EUA.
Além disso, num capítulo intitulado “Exploração em alto mar”,
os jornalistas escreveram que os funcionários dos navios de cruzeiro trabalham,
frequentemente, mais de 70 horas por semana, com pouco descanso e sem férias
pagas. Comparam, ainda, as condições da sua alimentação à cantina de um liceu. Como
todos os outros grandes negócios, a indústria de cruzeiros gastou,
generosamente, na actividade de lóbi no Congresso, para poder manter o seu
negócio atractivo. De 1997 a 2014, a Cruise Line International Organization e
operadores individuais gastaram mais de 52 milhões de USD em actividades de lóbi
no Congresso.
Perceber o aumento da procura por parte do cliente não
é difícil. Os anúncios sedutores na televisão retratam os viajantes “rodeados
de todos os caprichos, a serem servidos no lounge exterior da piscina, a jantarem
em restaurante gourmet ou no torvelinho da pista de dança. No entanto, a
exploração insensível da mão-de-obra pela indústria é repugnante. Assumindo um pagamento
justo e condições de trabalho decentes, os americanos até estariam dispostos a trabalhar
em navios de cruzeiro. Mas cabe ao Congresso actuar no interesse dos cruzeiristas
e dos trabalhadores, algo que, até agora, demonstra pouco interesse em fazer.Artigo original

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