O novo porto de Gwadar, no Paquistão, é a grande promessa
para os seus investidores chineses, por ele passando milhões de toneladas de abastecimentos
para o Corredor Económico China-Paquistão (CPEC) de US $ 50.000 milhões e que
albergará, nos próximos anos, uma zona franca de 900 ha, um terminal
petrolífero e uma instalação de exportação de GNL.
Entretanto, os seus desenvolvedores terão que superar um
obstáculo capital para poder manter o porto na rota do crescimento. Gwadar está
no meio de um deserto, com uma precipitação média anual de 25,4 mm – em Lisboa,
p. ex., a precipitação média anual é de 691 mm. Com a actividade económica potenciada
pela construção do porto, a população de Gwadar aumentou num factor multiplicador
de 20 nos últimos 15 anos, pelo que o seu abastecimento de água está sob a
pressão severa. Para piorar as coisas, o reservatório existente está assoreado
(com muita sedimentação), reduzindo a sua capacidade de armazenamento a dois
terços, não permitindo fornecer os mais de 15 milhões de litros de água por dia
que a cidade precisa.
O governo paquistanês está a procurar resolver o problema através
de caros sistemas de dessalinização, com consumo intensivo de energia. Uma
unidade de dessalinização de dois milhões de galões por dia para a nova zona
industrial de Gwadar ficou concluída em 2015, após quase uma década de atrasos.
No entanto, funcionários do governo desviaram parte dessa água para o
abastecimento de água municipal devido à escassez geral e, no início de 2016, a
unidade apenas funcionava de forma intermitente.
A conclusão de duas novas barragens foi adiada por vários anos
devido a uma série de sequestros, mas agora que o governo paquistanês atribuiu
uma força de segurança especial para os projectos adstritos ao CPEC, as
autoridades dizem que esses novos reservatórios poderiam estar prontos já em
2018. Além disso, o governo aprovou, recentemente, uma segunda unidade de
dessalinização de cinco milhões de galões por dia, o que representaria cerca de
um terço da actual procura da cidade.
No entretanto, os oficiais portuários dizem que os
visitantes e os investidores vão trazendo a sua própria água engarrafada, enquanto
os locais vão subsistindo combinando os fornecimentos através de água transportada
em jerricans e água dessalinizada em casa. Um jornalista local disse que o
governo fornece tanques de água apenas de forma intermitente e para aqueles que
a podem pagar – as entregas privadas de água podem custar cerca de US $ 100-150
– bem acima da capacidade financeira da maioria dos moradores.Artigo original

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