3 de janeiro de 2017

O novo porto estratégico da China enfrenta escassez de água (potável)

O novo porto de Gwadar, no Paquistão, é a grande promessa para os seus investidores chineses, por ele passando milhões de toneladas de abastecimentos para o Corredor Económico China-Paquistão (CPEC) de US $ 50.000 milhões e que albergará, nos próximos anos, uma zona franca de 900 ha, um terminal petrolífero e uma instalação de exportação de GNL.
Entretanto, os seus desenvolvedores terão que superar um obstáculo capital para poder manter o porto na rota do crescimento. Gwadar está no meio de um deserto, com uma precipitação média anual de 25,4 mm – em Lisboa, p. ex., a precipitação média anual é de 691 mm. Com a actividade económica potenciada pela construção do porto, a população de Gwadar aumentou num factor multiplicador de 20 nos últimos 15 anos, pelo que o seu abastecimento de água está sob a pressão severa. Para piorar as coisas, o reservatório existente está assoreado (com muita sedimentação), reduzindo a sua capacidade de armazenamento a dois terços, não permitindo fornecer os mais de 15 milhões de litros de água por dia que a cidade precisa.
O governo paquistanês está a procurar resolver o problema através de caros sistemas de dessalinização, com consumo intensivo de energia. Uma unidade de dessalinização de dois milhões de galões por dia para a nova zona industrial de Gwadar ficou concluída em 2015, após quase uma década de atrasos. No entanto, funcionários do governo desviaram parte dessa água para o abastecimento de água municipal devido à escassez geral e, no início de 2016, a unidade apenas funcionava de forma intermitente.
A conclusão de duas novas barragens foi adiada por vários anos devido a uma série de sequestros, mas agora que o governo paquistanês atribuiu uma força de segurança especial para os projectos adstritos ao CPEC, as autoridades dizem que esses novos reservatórios poderiam estar prontos já em 2018. Além disso, o governo aprovou, recentemente, uma segunda unidade de dessalinização de cinco milhões de galões por dia, o que representaria cerca de um terço da actual procura da cidade.
No entretanto, os oficiais portuários dizem que os visitantes e os investidores vão trazendo a sua própria água engarrafada, enquanto os locais vão subsistindo combinando os fornecimentos através de água transportada em jerricans e água dessalinizada em casa. Um jornalista local disse que o governo fornece tanques de água apenas de forma intermitente e para aqueles que a podem pagar – as entregas privadas de água podem custar cerca de US $ 100-150 – bem acima da capacidade financeira da maioria dos moradores.
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