De acordo com dados divulgados recentemente, pode ter
sido um incêndio o que levou ao afundamento do navio mais conhecido em todo o
mundo, em 1912.
O Titanic poderá ter sofrido um incêndio a bordo, nos seus
paióis de carvão combustível dias antes de sair para o mar. As chamas e o calor
causados pelo fogo poderão ter fragilizado o aço de que era constituído o casco
do navio, tendo este não resistido ao embater no iceberg. Até hoje sempre se
referiu que a fragilidade do casco se deveu a defeitos no processo de cozimento
do aço de que eram feitos os rebites que selavam as chapas do costado, e que
foram estes que cederam no momento do embate.
Os dados foram agora tornados públicos e podem mudar o
conteúdo de uma história com mais de 100 anos.
Os investigadores afirmam que as chamas deflagraram muito
antes do navio partir para os Estados Unidos, com início numa sala das máquinas
do navio, antes do Titanic zarpar para Southampton, ainda no estaleiro de
Belfast, na Irlanda, onde foi construído.
As fotografias, agora reveladas e que nunca tinham sido
analisadas anteriormente, foram a principal matéria de análise dos
investigadores e parecem mesmo comprovar a nova teoria.
A possibilidade de incêndio já havia sido ponderada, mas um
fogo cerca de três semanas antes do navio iniciar viagem é um dado novo que pode
mudar os contornos da história feita à volta deste luxuoso paquete.
Segundo Sean Molony, jornalista de profissão e que se dedica
desde há 30 anos a investigar este acidente, revelou ao Independent “o incêndio
era conhecido pelos responsáveis da White Star Line, mas que havia sido
minimizado. O navio nunca deveria ter ido para o mar”.
O jornalista adianta, ainda, que são vários, os
especialistas em metalurgia, que afirmam que quando se atinge uma temperatura
de várias centenas de graus junto ao aço, este torna-se frágil e reduz a sua
resistência até 75%. Foi uma conjugação de factores muito relevantes e que
redundaram em catástrofe: fogo, gelo e negligência.
Desde que o Titanic afundou há mais de 104 anos atrás,
matando mais de 1.500 homens, mulheres e crianças, que o mistério tem pairado
em torno da tragédia. No entanto, não se pode afirmar que “afinal não foi um
iceberg que provocou o afundamento do Titanic”. Na verdade, ninguém duvida que
o navio colidiu em alta velocidade com um iceberg ao largo da costa da Terra
Nova, tendo alagado e afundado por via disso mesmo.
Ou então, ter-se-ão de chamar “os investigadores e
agentes” da novel série da RTP, “O Ministério do Tempo”…Artigo original (NYTimes)

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