9 de maio de 2020

Hertz evita a falência com acordo de última hora


A Hertz conseguiu evitar uma falência de proporções inimagináveis graças a um acordo de última hora com os credores, que lhe permite alargar o prazo para o pagamento do leasing dos 500 mil veículos que fazem parte da sua frota mundial.
A Hertz, que já tinha incumprido o pagamento em abril, beneficiou de uma primeira moratória até dia 4 de maio, que voltou a falhar. A nova moratória conseguida, permite-lhe adiar o pagamento por mais uns dias, até 22 de maio, altura em que a empresa terá de ter um plano que lhe permita enfrentar os danos provocados pela crise abrupta provocada pelo coronavírus no turismo, por todo o mundo, deixando quase toda a frota da Hertz parada.
O grupo Hertz, assim como outras, experimentou uma súbita perda de receitas que afectou o equilíbrio financeiro de forma decisiva. Se não fosse alcançado este acordo, a Hertz iria mesmo apresentar o pedido de falência para se proteger dos credores. A Avis, maior que a Hertz, registou um prejuízo de 158 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2020.
Mas será improvável que o negócio recupere até ao mês de junho, mesmo que os Estados Unidos abram a economia e as viagens de avião recomecem e que na Europa suceda o mesmo. Recordamos que o grande mercado da maioria das empresas de “rent a car” advém do turismo e dos aeroportos.
Por outro lado, este negócio envolve o valor residual dos veículos na revenda, como usado. A queda dos preços dos carros usados nos EUA e na Europa, veio depreciar os activos, reduzindo, de forma clara, a liquidez das empresas. No decorrer desta crise, a Hertz já tinha despedido 10 mil colaboradores em abril, um quarto da sua força de trabalho nos EUA e, provavelmente, estarão muitos outros “na calha”.
De qualquer forma, se a empresa vier a falir, isso poderá constituir-se como um desastre de consequências imprevisíveis, inundando o mercado automóvel de 2ª mão, já depreciado e em colapso, com centenas de milhar de viaturas, por todo o mundo. Por arrasto e consequência, o mercado de novos e toda a indústria associada, incluindo o transporte oceânico de viaturas entrará em dificuldades, ainda mais profunda que a que actualmente atravessa.
Fonte

6 de maio de 2020

Porta-contentores trocam o Suez pela rota do Cabo


Pelo menos 20 serviços de transporte marítimo de contentores no Ásia-Europa e no Ásia-Costa Leste dos EUA trocaram o Canal do Suez pela rota do Cabo.
A Autoridade do Canal de Suez (SCA) deve perder mais de US $ 10 milhões em receita por muitas das linhas de contentores estarem a optar pela rota do Cabo em vez da utilização daquela importante hidrovia.
De acordo com um trabalho de investigação da Alphaliner, “o número de porta-contentores que optaram por usar a rota do Cabo, evitando usar o Canal de Suez, subiu para um nível histórico em tempos de paz”, incluindo pelo menos 20 linhas estabelecidas Ásia-Europa, Europa-Ásia e Comércio da costa leste dos EUA-Ásia.
"A combinação única de excedente de oferta de navios e preços de combustíveis muito depreciados, levou a que, cada vez mais, transportadoras oceânicas estejam a evitar a passagem pelo canal – evitando, desta forma, as suas taxas", que, neste ambiente, se tornam superiores aos custos de operação pela rota mais longa (tudo somado em tempo e combustível), observou o estudo.
“E até que pareça estranho, até as três rotas Ásia-Europa operadas pela CMA CGM optaram pela rota do Cabo”.
As tarifas do Canal de Suez variam de acordo com o tamanho do navio, o seu itinerário, o número de contentores transportados e a proporção deles carregados; no entanto, regra geral, um porta-contentores de 20K TEUs, totalmente carregado, poderá pagar cerca de US $ 700.000 em taxas de trânsito pela passagem na hidrovia.
A diferença de distância navegada entre as duas rotas é de cerca de 1.900 mi, na viagem Singapura-Roterdão.

Relatório mostra que os marítimos se sentem sem apoio durante pandemia


Os níveis de satisfação dos marítimos ficaram reduzidos no primeiro trimestre de 2020, com preocupações claras sobre o actual sentimento de segurança e bem-estar para aqueles que têm vindo a servir no mar durante a crise do COVID-19, de acordo com o último relatório do Índice de Satisfação dos Marítimos. Os marítimos pedem, urgentemente, uma melhor conectividade a terra e o mar e a necessidade de maior suporte e ajuda em todo o sector, durante este período difícil e sem precedentes.
Os principais tópicos estudados foram:
Autorização de visita lúdica limitada
Com cada vez mais recusas na atribuição da licença de descer a terra levam a que os marítimos, não sendo capazes de beneficiar de instalações de assistência social em terra, ficam fortemente afectados no seu bem-estar mental.
Impossibilidade de rendição
Por outro lado, estando os navios reduzidos a níveis mínimos de tripulação, a impossibilidade (ou proibição) de rendições atempadas, cria enormes problemas em relação à logística estabelecida, impossibilitando os períodos contratualizados de férias em terra.
Muitos marítimos aguardam a conclusão de seu contrato e o regresso a casa, e essa impossibilidade enfatiza, ainda mais, o excesso de stress exigido por tempo prolongado a bordo.
Carga de trabalho crescente e extensões de contrato “não esperados”
Além disso, os resultados indicaram que as tripulações estão a enfrentar crescentes cargas de trabalho, particularmente exacerbadas pelas restrições do COVID-19. Os marítimos começam a relatar maiores níveis de fadiga e esgotamento, pois são forçados a continuar a trabalhar sem a percepção de quando podem voltar para casa de férias.
Preocupações crescentes com a saúde e o bem-estar dos marítimos
Em todas as respostas, a opinião dos marítimos foi clara. A combinação de cargas de trabalho crescentes, contratos prolongados e isolamento aumentado, faz com que a maioria dos marítimos se sinta pressionada, ansiosa e exausta. Isso corre o risco de comprometer a qualidade de seus padrões de trabalho e segurança.
As preocupações incluíam pouca conectividade e embarque dos funcionários de terra, devido ao risco de infecção.
Ainda mantêm um sentimento de orgulho
Embora este relatório destaque as pesadas cargas de trabalho e tensões sociais cada vez mais visíveis a bordo de alguns navios, também ficou claro
Interacção entre a tripulação a bordo
Embora tenha havido um pequeno aumento nos níveis de satisfação neste item, os comentários indicaram um aumento das tensões a bordo, ansiedade e incerteza, resultante de mais tempo a bordo e que podem ter um preço terrível para os marítimos.
O estudo completo pode ser acedido e descarregado aqui.

Linha de cruzeiros sem dinheiro


A Norwegian Cruise Line Holdings Ltd, a terceira maior operadora de cruzeiros do mundo, levantou dúvidas, na terça-feira, sobre a sua capacidade de continuar a operar, sendo a primeira do sector a dar sinal que poderá sucumbir à crise do coronavírus.
As acções da empresa depreciaram em mais de 20%, ao ser lançada uma oferta de acções e títulos de US $ 1,6 milhar de milhão, numa tentativa para conseguir liquidez, e anunciou um investimento de US $ 400 milhões através de uma subsidiária da empresa de capital privado, a L Catterton.
A Norwegian Cruise e as rivais Carnival Corp e Royal Caribbean Cruises estão entre as vítimas de maior destaque da pandemia, depois que sofreram surtos mortais em alguns dos seus navios de cruzeiro e obrigaram a longas quarentenas em porto, tanto no Japão como na Califórnia.
A Norwegian, que suspendeu os seus cruzeiros até 30 de junho, não anunciou uma data de relançamento. Na segunda-feira, a Carnival anunciou que planeia retomar alguns cruzeiros a partir de 1º de agosto, enquanto aguardam directivas das autoridades e se poderem organizar.
A indústria de cruzeiros ficou de fora de um pacote financeiro de ajuda de US $ 2,3 biliões nos EUA para empresas problemáticas, já que os principais players têm as suas bases empresariais fora dos Estados Unidos.
"O COVID-19 teve, e deve continuar a ter, um impacto significativo n condição financeira e operações da indústria, o que poderá afectar, negativamente, a capacidade das operadoras de obter financiamento acessível", disse um responsável da Norwegian, também sinalizando dúvidas substanciais sobre a sua capacidade de continuar como empresa independente. Disse, ainda, que não possui liquidez suficiente para cumprir suas obrigações nos próximos 12 meses.
Entretanto, as acções da Carnival fecharam em queda de 8,7% e as da Royal Caribbean fecharam em queda de 10%, também na terça-feira.

500 Kg de cocaína em porão de carga de graneleiro


A polícia alemã embarcou e revistou o graneleiro registado no Montenegro “BUDVA” na manhã de 2 de maio, quando o navio atracou em Hamburgo. Foi encontrada escondida meia tonelada de cocaína no que foi descrito como “área de carga” – em armações construídas em porões e dissimuladas na carga. Dos 23 tripulantes, de várias nacionalidades, 1 ficou detido. O navio chegou a Hamburgo vindo de Santos, Brasil, via Casablanca, Marrocos. Segundo informações, as buscas e apreensão da droga resultou de uma operação conjunta de combate à drogas que envolveu agências policiais de vários países.
Segundo comunicado oficial, foi desmantelada uma rede de narcotráfico entre a América do Sul e a Europa.